Quarta-feira, Setembro 07, 2005

Eu sou...


Eu sou o rapaz expulso de casa porque contei à minha mãe que sou homossexual.
Eu sou a irmã que conforta o seu irmão gay durante as noites dolorosas e tristes.
Eu sou o homem que morreu sozinho no hospital porque eles não deixaram o meu parceiro de vinte e sete anos entrar no quarto.
Eu sou a criança acolhida que acorda com pesadelos de ser tirada aos meus dois pais que são a única família carinhosa que alguma vez tive.
Eu sou um dos sortudos, acho. Sobrevivi ao ataque que me deixou em coma durante três semanas, e daqui a um ano, provavelmente serei capaz de voltar a andar.
Eu não sou um dos sortudos, acho. Suicidei-me duas semanas antes de acabar o secundário. Não conseguia suportar mais.
Eu sou o jovem que mente aos pais para poder ter uma vida amorosa.
Eu sou um dos membros do casal a quem ela desligou o telefone quando soube que queríamos alugar um quarto de casal para dois homens.
Eu sou aquele que confundem com um pedófilo quando ouvem falar em homossexualidade.
Eu sou o homem a quem não é permitido sequer visitar a criança que concebi, cuidei e criei. O tribunal diz que não sou um bom pai porque agora vivo com outro homem.
Eu sou o pai que nunca abraçou o seu filho porque cresci com medo de mostrar afecto por outros homens.
Eu sou o homem que morreu quando os paramédicos pararam de me tratar quando souberam que eu era transsexual.
Eu sou o rapaz homossexual que tem de ouvir e calar quando o seu pai diz que os paneleiros deviam ser todos mortos.
Eu sou o homem que se sente culpado porque penso que podia ser melhor pessoa se não tivesse que lidar sempre com o facto da sociedade me odiar.
Eu sou o cidadão que deixou de ir à igreja, não porque não acredito, mas porque eles fecharam as suas portas aos que são como eu.
Eu sou a pessoa que tem de esconder aquilo de que o mundo mais precisa: AMOR.


A Homofobia está errada.